Projeto Ave Missões: Pesquisa, Educação Ambiental e Conservação com Aves da Região Noroeste do Rio Grande do Sul

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Turvo 2015 - Parte 3: Fim

Peixe-frito-pavonino. foto: Alfieri Callegaro.
* por Dante Andres Meller
Não é de hoje que nós conhecemos o potencial da Guarita para observação e fotografia de aves...

Já estivemos no local algumas vezes, e a área sempre surpreende com aparições interessantes.

Além do mais, já virou tradição a confraternização de encerramento no sítio do amigo Cláudio Furini, que mais uma vez fez valer a pena a visita...

Terra Indígena do Guarita

A Guarita é a maior reserva indígena do estado, e possui florestas extensas, quase que tão grandes quanto as do Turvo. Apesar do nível de preservação não ser o mesmo, já que na área indígena a exploração não é tão controlada como no parque, ela preserva ainda assim grande parte da fauna original da região, cumprindo um papel importante na conservação das espécies.

Matas da Terra Indígena do Guarita em Tenente Portela ao fundo. Foto: D. Meller.

A Guarita tem o relevo um tanto acentuado, e de largada subimos um morro para começar a trilha na mata, orientados pelo amigo Cláudio. Nos esperava lá em cima uma silhueta no alto de uma árvore, era uma maitaca-verde, dando largada à passarinhada.

Maitaca-verde (Pionus maximiliani) na Guarita. Foto: D. Meller.

Apesar de termos encontrado muitas aves interessantes no Turvo, parece que o destino nos reservou alguns encontros especiais somente para a Guarita. Algumas espécies raras que também ocorrem no Turvo, mas que não encontramos nos dias anteriores, foram aparecendo aos poucos, começando por um gavião...

Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis). Foto: Paulo Bertagnolli.

Seguíamos Guarita adentro, e algumas espécies florestais iam se mostrando... e até uns migratórios deram as caras.

Macho do beija-flor-de-topete (Stephanoxis delalandi). Foto: D. Meller.

Gavião-tesoura (Elanoides forficatus). Foto: D. Meller.

Começaram a aparecer mais algumas coisas raras, e o primeiro foi apenas avistado, sem chances para foto, também, era um tapaculo-ferreirinho... Esse o Cláudio ainda vai fazer aquela foto um dia desses...

Mas o negrinho-do-mato, que era uma das espécie procuradas pelo Rafael, foi fotografado, e havia um casal, que ficou uns minutos sendo apreciado por nós.

Macho do negrinho-do-mato (Amaurospiza moesta). Foto: Alfieri Callegaro.

Mais adiante cantou o esperado peixe-frito-pavonino... e aí a turma toda se empoleirou e com paciência aguardou essa linda e discreta ave aparecer e pousar para as fotos...

Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus). Foto: Paulo Bertagnolli.

Nos arredores desse local ainda foi ouvida diversas vezes a voz do papa-moscas-cinzento, e mais adiante um pinto-do-mato cantava, mas sem chances de visualizá-lo. Era hora de descer para nossa confraternização...

Despedida

Um bom churrasco com costela de ovelha e de gado, entre outras coisas, para encerrar de maneira justa esses dias tão recheados de encontros especiais. Mas mesmo na hora do almoço a gente não pode se descuidar... é melhor deixar os binóculos e as câmeras a postos, vai que aparece algum gavião no céu...

Caracoleiro (Chondrohierax uncinatus), provável jovem melânico, voando sobre o Sítio da Guarita. Foto: Cláudio Furini.

Antes de terminar o Rafael e o Paulo Bertagnolli resolveram conhecer a ceva fotográfica do Furini. Nós achávamos que daquele mato não ia sair "coelho", mas não é que eles acertaram em cheio! Méritos do Cláudio também pelo mantimento do local...

Juriti-pupu (Leptotila verreauxi). Foto: Paulo Bertagnolli.

Casal de inhambu-chintã (Crypturellus tataupa). Foto: Paulo Bertagnolli.

Grupo Ave Missões, com Rafael e Ana Rita, Cláudio Furini e seus compadres, no Sítio da Guarita. Foto: Alfieri Callegaro.

Voltando pra casa

Na volta pra casa decidimos passar em um fragmento de mata de araucária que existe em Braga. É um dos últimos fragmentos de tamanho considerável (cerca de 100 ha) dessa formação na região noroeste. Nas proximidades de Braga existem outros fragmentos de araucária de porte semelhante ou menores que são avistados da estrada.

Fragmento de Mata de Araucária em Braga, com aproximadamente 100 ha. Foto: D. Meller.

Araucária centenária no fragmento de Braga. Foto: Alfieri Callegaro.

Esse fragmento tem diversas trilhas de fácil acesso. Não conseguimos contato com os donos, mas numa breve passada pelas trilhas descobrimos espécies interessantes, com ao menos um registro excepcional para o local.

Juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus) em Braga. Foto: D. Meller.

Fim de saída... sentimento de gratidão pelas vivências e parcerias. Obrigado a todos que participaram, e ano que vem, se Deus quiser, tem mais!

Um forte abraço missioneiro!
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Veja também:

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4 comentários:

  1. Excelente post , parabéns ! Lindas fotos e belo texto ! Grande registro do Juruva-verde !!!

    Ass.:Lucas N de Porto Alegre - RS

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    1. Obrigado Lucas!!! Foi um achado inesperado mesmo... Grande abraço!

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  2. Outro belo relato, Dante. Mas valeu mesmo a estadia aí com vocês, nestes 3 dias. Vamos ver se conseguimos participar nas próximas saídas.
    Abraço
    Rafael Ritter

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    1. Valeu Rafael!!! São sempre bem-vindos. Um grande abraço!!!

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