Projeto Ave Missões: Pesquisa, Educação Ambiental e Conservação com Aves da Região Noroeste do Rio Grande do Sul

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Gavião-beira-de-estrada?!

     Sempre gostei de viajar. Depois que comecei a estudar as aves, e em especial os gaviões, cada viagem é uma oportunidade nova. Gaviões costumam ser escassos quando comparados a outras aves. Mesmo espécies comuns precisam de áreas grandes para viver, as raras, principalmente as águias, precisam de áreas maiores ainda. Em vista disso, viajar é o mesmo que adentrar territórios novos onde habitam novos gaviões.


Gavião-carijó, conhecido em inglês por Road-side Hawk.

     Assim aprendi muito sobre estas fascinantes aves, que quando olhadas de perto revelam uma beleza e imponência respeitável. No Rio Grande do Sul existem algumas espécies de gaviões que podem ser encontradas à beira de estrada, uns menores, como o gavião-carijó Rupornis magnirostris, e outros grandes como o gavião-caboclo Heterospizias meridionalis.

Gavião-caboclo, um dos grandes mais encontrado em beira de estradas.

     Recentemente, em viagem a Itaqui, tive a oportunidade de encontrar diversos indivíduos dos exemplos dados acima, mas havia uma espécie que haveria de me surpreender. Dos gaviões grandes que beiram estradas em áreas abertas, sem dúvida o mais comum é o gavião-caboclo, citado acima. Belton (1994) considera que depois deste o mais encontrado é o gavião-de-rabo-branco Geranoaetus albicaudatus. Realmente, minhas observações em viagens estão bem de acordo com isto.

Gavião-de-rabo-branco, espécie muito bonita.

     Outro grande gavião que seguido pode ser visto é o gavião-do-banhado Circus buffoni, uma espécie muito elegante, e um dos meus preferidos. Este tem o vôo muito semelhante aos urubus do gênero Cathartes, que junto com o urubu-de-cabeça-preta Coragyps atratus também são bastante encontrados em viagens pelo RS. Um daqueles, o urubu-de-cabeça-amarela C. burrovianus, é encontrado quase que somente na metade sul do estado, no bioma Pampa.

Gavião-do-banhado.
Urubu-de-cabeça-amarela.

     Existem ainda aqueles membros da família dos falcões, que podemos chamar de carcarás. O mais conhecido e maior é o próprio caracará Caracara plancus, enquanto menores, mas tão comuns quanto, temos o chimango Milvago chimango e  o carrapateiro M. chimachima.

Caracará, espécie muito comum.
     Falcões típicos podem ser encontrados também, e neste caso temos, mais comumente, o pequenino quiriquiri Falco sparverius e também o elegante falcão-de-coleira F. femoralis.

Quiriquiri, pequeno falcão comumente visto em postes nas áreas rurais.

     Mas onde eu queria chegar era nas águias. Minha surpresa tem seu desfecho aqui. Em minha viagem pra Itaqui tive a surpresa de fotografar (e só fui descobrir em casa analisando as fotos com minha namorada) uma jovem águia-chilena Geranoaetus melanoleucus. Na hora pensei que fosse um jovem gavião-de-rabo-branco, pois jovens gaviões seguido pregam peças e deixam observadores confusos.

Jovem gavião-de-rabo-branco.
Jovem águia-chilena.


     No RS a águia-chilena é uma ave ameaçada de extinção (Bencke et al 2003) que ocorre na metade sul do estado e em algumas áreas da Serra. Existe um registro não confirmado para a espécie no município de Santo Ângelo (Belton 1994), mas eu nunca vi a espécie por aqui. Um ornitólogo, amigo meu (Adrian Rupp), comentou-me ter visto uma aqui perto em uma área de campos entre o município de Coronel Barros e Ijuí. Vale a pena ficar de olhos abertos em busca da águia-chilena na região das Missões. 
     
     Outra ave de rapina grande, não tão comum, mas que pode ser encontrada à beira de estradas é o gavião-preto Urubitinga urubitinga, chamado de Aguila Negra no Uruguay e na Argentina.

Gavião-preto, chamado de águia por alguns.

Fotos: Dante Meller

4 comentários:

  1. Muito legal e interessante a matéria Dante, nas minhas viagens costumo observar, r.magnisrostris, m.chiango, m.chimachima, c.plancus, g.melanuleuscus, b.albicaudatus e varias outras espécies.
    Abraçoos!!

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  2. Na região de Santana do Livramento, observei a ocorrência de um indivíduo da sp. Geranoaetus melanoleucus.Conforme moradores próximos ao local, existe um ninho ha cerca de uns 3 anos em um remanescente florestal próximo onde a ave foi visiualizada. Pena q nã pude fazer o registro.

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  3. Legal pessoal, obrigados pelos comentários!

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  4. Muito prazer Meller! Também gosto muito de gaviões.Recentemente descobri uma montanha aqui no ES, onde a águia chilena nidifica. Veja a matéria em meu blog: http://peixesaves.blogspot.com/2011/09/procura-de-geranoaetus-melanoleucus.html

    um abc
    jose.

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