Ave Missões: Pesquisa, educação ambiental e conservação com Aves da Região das Missões

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

AvesTour pelas Missões

     Não é de hoje que a região das Missões é conhecida por sua história e cultura. Quando o assunto trata de suas riquezas naturais, porém, muita coisa fica guardada nos "fundões de campo" e foge ao conhecimento popular. Não é a primeira vez que falo desse assunto, e cada vez mais me convenço de que um grande parque deveria ser criado em nossa região, a qual não possui nenhum e, certamente, não por falta de belezas cênicas, de flora e de fauna.

Anu-coroca (Crotophaga major) nas matas ciliares de Dezesseis de Novembro. Foto: Dante Meller.

Salto do Pirapó no Rio Ijuí em Roque Gonzáles. Foto: Dante Meller.

     Fim de semana passado eu e alguns amigos percorremos a região a fim de observar e fotografar aves. O resultado foi muito gratificante, com registros inesperados e muito importantes, sugerindo áreas com alto interesse de conservação. Como de praxe, lições foram aprendidas, e, com o registro mais importante, a maior de todas: Deus em primeiro lugar e o resto virá por acréscimo...

Cascata-do-comandaí em Santo Ângelo, com Jeferson Haas, Paulo Dorensbach e Carlos Neymar Kuhn. Foto: Caroline Kuhn.

Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) em São Paulo das Missões, após participarmos da missa com a comunidade local, mesmo sacrificando o melhor período para observaçao de aves, a manhã. Foto: Dante Meller.
     
     É interessante como a atenção deve ser plena e companheira do observador de aves, especialmente em ambientes florestais, onde pequenas aves podem significar grandes registros. Não esqueça de estar atento!

Fêmea do pica-pau-anão-de-coleira (Picumnus temminckii) em São Paulo das Missões. Foto: Dante Meller.

Miudinho (Myiornis auricularis) em Roque Gonzáles. Foto: Dante Meller.

     Uma vez um excelente ornitólogo me falou: "é... as aves estão sempre nos surpreendendo". Cada vez que encontro uma ave num local inesperado, lembro da frase deste amigo. Assim, outro amigo, o biólogo Carlos N. Kuhn, nos levou até o encontro de dois araçaris-castanho (Pteroglossus castanotis), na praça do município de Cândido Godói. E, segundo pessoas locais, parece que as aves têm o local por morada, o que além de inexplicável, é fascinante!

Araçari-castanho em Cândido Godói. Foto: Dante Meller.

     A noite, por natureza, é misteriosa. No meio de uma floresta, esta afirmação ganha ainda mais sentido,  especialmente quando o medo perde as forças e os animais da mata se revelam com espontaneidade. Em algumas andanças noturnas por São Paulo das Missões, encontramos além de aves crípticas, como o tuju (Lurocalis semitorquatus) e o urutau (Nyctibius griseus), também outros animais.

Urutau ou mãe-da-lua. Foto: Dante Meller               Gambá-de-orelha-branca. Foto: Dante Meller

Limnomedusa macroglossa. Foto: Dante Meller.

Libélula. Foto: Dante Meller.

     Conhecer melhor a região das Missões tem sido um privilégio não somente para o conhecimento de nossa avifauna, mas também de valores que muitas vezes estão guardados no silêncio dos campos, no som das matas, no murmúrio das águas e no coração das pessoas simples. Cada vez que viajo, ando acompanhado do Canto dos Livres do saudoso Cenair Maicá que sobre nossa região muito peleava cantando:
           
"Quisera ter a alegria dos pássaros na sinfonia do alvorecer e cantar para anunciar quando vem chuva e avisar que já vai anoitecer. E ao chegar a primavera, com as flores, cantar um hino de paz e beleza longe da prisão dos homens e da fome pra nunca cantar tristeza".

Foto: Dante Meller.

     Muitas outras aves foram vistas neste tour, entre elas, falcão-peregrino, coruja-orelhuda, tesoura-do-brejo, etc... não caberiam todas aqui! O que esperamos é que a consciência de nossa gente trabalhe para que elas possam todas caber não apenas nos livros, na televisão e nos sites de internet, mas aonde realmente elas cabem: na NATUREZA!
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Passareio em São Chico

     Visitar São Francisco de Paula/RS era algo que estava nos planos do grupo Ave Missões já fazia algum tempo. Ainda mais pelo fato de termos integrantes do grupo com um apreço histórico e familiar por lá. 
     Tivemos, também, a companhia de Marc Egger e sua família. Enquanto jogávamos futebol com seu filho, Marc viu o que seria um dos 10 Lifers - aves observadas pela primeira vez - meus (Dante) nesta cidade serrana: a tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris).

Tesourinha-da-mata. Foto: Dante Meller.

     Assim foram nosso dias, recheados de aventura, diversão e Lifers!

Noivinha-de-rabo-preto fêmea (Xolmis dominicatus). Foto: Dante Meller

Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea). Foto: Dante Meller.

     A paisagem dos campos de cima da serra, com as simpáticas araucárias, trazem sentimentos únicos à nossa alma, o que certamente é algo louvável de ser apreciado.

Grupo Ave Missões. Foto: Luana Almeida.

     Outro lugar bacana que visitamos foi o Passo da Ilha, onde, além de banho de cachoeira maravilhoso, contemplamos belíssimas paisagens e espécies interessantes, como o veste-amarela (Xanthopsar flavus), a maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes), o joão-pobre (Serpophaga nigricans), o pedreiro (Cinclodes pabsti) e a saracura-do-banhado (Pardirallus sanguinolentus).



Pedreiro. Foto: Dante Meller.

Saracura-do-banhado. Foto: Dante Meller.

     Visitamos também a FLONA de SFP, um lugar com belíssimas florestas onde os xaxins e as araucárias, algumas centenárias, se harmonizam entre o dossel e o subosque, parecendo um cenário primitivo. Lá, dentre outros animais, tivemos a rara oportunidade de ver uma ave símbolo da Mata Atlântica, a araponga (Procnias nudicollis).

Araponga imatura na Flona de São Francisco de Paula. Foto: Dante Meller.

Choquinha-carijó (Drymophila malura). Foto: Dante Meller.
Tatu-galinha. Foto: Dante Meller.

     Fomos também bem-aventurados de ver rapinantes imponentes e raras, como a águia-chilena (Geranoaetus melanoleucus) e o mocho-dos-banhados (Asio flammeus).

Águia-chilena jovem. Foto: Dante Meller.
     
     Por fim, só nos resta agradecer a Deus por tantas paisagens e espécies interessantes observadas e à família Koch Rodrigues, especialmente à Márcia e ao Paulo, por generoso convite e hospitalidade em sua casa no Veraneio Hampel. Também somos gratos à Edenice, que nos autorizou a visita na FLONA. 


Integrantes do grupo Ave Missões. Foto: Luana Almeida.

E que Deus nos abençoe, preservando esta natureza incrível dos Campos de Cima da Serra!
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Concurso Fotográfico Ave Missões 2012

Curicaca Theristicus caudatus. Foto: Dante Meller.
          Tendo em vista que a fotografia de natureza é um grande instrumento de conscientização ambiental, o Instituto Estrela Radiante está promovendo um Concurso de Fotografia de Aves para 2012. As inscrições (link) são gratuitas e já estão abertas. Em breve divulgaremos a data de apresentação dos resultados (possivelmente final de março de 2012).

Mariquita Parula pitiayumi. Foto: Dante Meller.
     O regulamento (link) especifíca maiores detalhes (como premiação, por exemplo) e uma lista de aves (link) foi elaborada com todas as espécies registradas na região noroeste do Rio Grande do Sul. As fotos, porém, não precisam ser necessariamente feitas nesta região, mas devem ser de espécies presentes naquela lista.

Sovi Ictinia plumbea. Foto: Dante Meller.
     O concurso faz parte do Projeto Ave Missões, e visa promover o conhecimento da avifauna da região noroeste do estado gaúcho, assim como incentivar sua preservação. O concurso tem o apoio de Vick Almeida Fotografias.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pampa adentro...

     Horizonte vasto, planícies extensas, campos nativos, grandes banhados, rios e matas ciliares interessantes, eis o nosso bioma Pampa, cheio de vida, aves e cultura.
     Não é fácil distinguir onde termina a Mata Atlântica e onde começa o Pampa, em viagem da capital das Missões em direção à Fronteira Oeste. Por outro lado, observando as aves ao longo deste trajeto, logo percebemos quando os chimangos (Milvago chimango) passam a ser mais frequentes e as emas (Rhea americana) começam a aparecer.

Ema em trigal em Caibaté. Foto: Luana Almeida.

     O urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) e o joão-grande (Ciconia maguari) são, também, ótimos exemplos de quando já adentramos o Pampa.

João-grande (ou maguari) em São Borja. Foto: Luana Almeida.

     Aves pouco comuns na região das Missões podem ser vistas na região da Fronteira Oeste com mais frequência. Além das citadas acima, destacamos também o socó-boi (Trigisoma lineatum), o frango-d'água-azul (Porphyrio martinica) e o frango-d´água-carijó (Gallinula melanops).

Socó-boi em Itaqui. Foto: Luana Almeida.

Frango-d'água-azul em Uruguaiana. Foto: Dante Meller.

     Existem ainda os enormes tachãs (Chauna torquata) e vários bandos de garibaldis (Chrysomus ruficapillus), vistos facilmente da estrada.

Garibaldi em Itaqui. Foto: Luana Almeida.

     Uma das aves mais belas que encontramos em recente viagem pela região da Fronteira Oeste, e com a presteza dos guias locais Ricardo e Gina Bellagamba, foi a águia-chilena (Geranoaetus melanoleucus).

Águia-chilena imatura em Itaqui. Foto: Dante Meller.

Águia-chilena adulta em Uruguaiana. Foto: Luana Almeida.

     Muitas destas aves ocorrem no Pampa missioneiro também, principalmente nos municípios de São Borja, Garruchos, Santo Antônio, São Miguel, São Luiz e Eugênio de Castro. Algumas espécies, porém, são pouco conhecidas em nossa região, como a águia-chilena. Outras fica a dúvida se ocorrem ou não, como o gavião-cinza (Circus cinereus), o qual pude observar de longe em Uruguaiana. De toda forma, vale a pena descer ao limite da Fronteira Oeste, onde situa-se o Parque do Espinilho, na Barra do Quaraí, paisagem única, com aves únicas no Brasil. Aos amigos Ricardo e Gina, o nosso (Dante e Lu) muito obrigado!

Gina, Ricardo e Lu no Parque do Espinilho. Foto: Dante Meller.
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sábado, 15 de outubro de 2011

Aves em São Miguel das Missões

     São Miguel é um lugar fascinante!... rico em história, lendas e cultura. Há poucos dias estive visitando o município para dar uma palestra de educação ambiental em uma escola. O tema foram as aves. Não pude deixar a oportunidade passar sem algum "passareio".

Ruínas Jesuíticas de São Miguel das Missões.























     Olhando por satélite representa que a região de São Miguel ainda possui alguns trechos de áreas preservadas, especialmente nas matas ciliares do Rio Piratini. Existe também um fragmento de mata, entremeado por campos nativos, muito interessante e bem próximo à cidade, chamado Mata do São Lourenço.

Mata do São Lourenço, entremeada por campos nativos.

Matas do Rio Piratini, em significativo estado de preservação.

     Eu já havia observado algumas aves interessantes nas matas do Rio Piratini, dentro da fazenda Matão, há pouco tempo atrás. Dentre elas destacou-se o charão Amazona pretrei, um papagaio endêmico do sul do Brasil e nordeste da Argentina, ameaçado de extinção (Bencke et al. 2003, Chebez 2008).

Papagaio-charão na fazenda Matão, São Miguel das Missões.

     O engraçado é que, durante a recente palestra, comentei de uma ave que fotografei no Parque Estadual do Turvo: o araçari-castanho Pteroglossus castanotis. É uma espécie muito bonita e atrativa, o que é característico dos representantes da família dos tucanos (Ramphastidae). Também é rara no RS e ainda ameaçada de extinção (Bencke et al. 2003). Lembro que disse: "não deve chegar aqui!" Como as aves, nos surpreendem...

Araçari-castanho fotografado no Parque Estadual do Turvo.

     A surpresa é que, enquanto eu caminhava na estrada que corta a mata do São Lourenço, após a palestra, encontrei dois araçaris-castanho voando e também vocalizando de dentro da mata. No mínimo o local merece mais tempo de observação. Encontrei lá também o gritador Sirystes sibilator, alguns guaxes Caccicus haemorrhous e, aparentemente, mas não confirmado, uma iraúna-grande Molothrus oryzivorus. Vi, ainda, pomba-galega Picazuro cayanensis, guaracava-de-crista-alaranjada Myiopagis viridicata e outras aves florestais, como o sovi Ictinia plumbea, papa-lagarta-verdadeiro Coccyzus melacoryphus e o dançador Chiroxiphia caudata.

Gritador fotografado no Parque Estadual do Turvo.

     O mais importante, penso eu, é que, sendo São Miguel cidade altamente turística, pode utilizar também a observação de aves como um produto atrativo, estimulando a preservação de suas matas e campos nativos. Lembrando que as lavouras avançam cada vez mais sobre os campos e fragmentos florestais da região, parece apropriado identificar áreas de interesse de conservação, como as figuradas acima. Quem sabe, futuramente, áreas como estas possam vir a se tornar Unidades de Conservação ou algo parecido...

Fotos: Dante Meller
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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Aves da Capital das Missões

     Final de semana passado fizemos o lançamento do livro "Aves da Capital das Missões". Com agrado é que digo que a comunidade recebeu o livro com muito gosto, provando mais uma vez o apreço popular que as aves incutem nas pessoas.

Grupo Ave Missões em lançamento de livro. Foto: Eduardo Althaus.

     Depois de quatro dias falando sobre as aves tínhamos que ter um dia de prática, ainda que durante a feira do livro observamos um birro Hirundinea ferruginea pousado na catedral angelopolitana. Por sinal, me encantei com este pequeno e discreto papa-moscas... Que voo ágil! Muito justo o gênero do seu nome científico, fazendo menção à família das andorinhas.

Birro (ou gibão-de-couro).

     Bom, depois da feira do livro resolvemos ir à Granja do Sossego, local já muito mencionado por nós. Desta vez vimos lá uma ave muito interessante e discreta: o saci Tapera naevia. Seu nome deriva do canto, que pode ser descrito como dois assovios sonoros e profundos ouvidos à longa distância. É engraçado como apesar de ser facilmente ouvida esta ave pode ser muito difícil de ser encontrada.

Saci.

     Ainda na Granja do Sossego localizamos um ninho de gavião-peneira Elanus leucurus, o qual já está com três gaviõezinhos nascidos.

Ninho de gavião-peneira com três filhotes.













     Assim como torcemos para que estes três pequenos gaviões um dia ganhem o céu e voem com graça e imponência, também esperamos que a semente plantada, com o lançamento de nosso livro, estimule atitudes de preservação de nossas aves e seus habitats. Haja visto que centenas de crianças, jovens, adultos e idosos passaram pela nossa tenda, visualizaram algumas de nossas aves, e muitos adquiriram nosso livro. A todos que contribuíram, de uma forma ou outra, o nosso MUITO OBRIGADO!!!

Fotos das aves: Dante Meller.
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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Gavião-tesoura - Elanoides forficatus

     Ainda lembro a primeira vez que vi um gavião-tesoura... Em meio à mata fechada, de repente uns sonoros piados, e aquele pequeno grupo de aves enormes voando lentamente em círculos, logo acima da copa das árvores, aparecendo subitamente... Uma sensação única, a qual pude reviver dias atrás ao ver a emoção de amigos tendo também um primeiro contato com esta espécie.
     A ave é inconfundível em voo: grande, elegante, asas pontudas, cauda longa bifurcada; tem o hábito de caçar grandes insetos, sobrevoando lentamente o dossel da floresta (Ferguson-Lees e Christie 2001, 2005).


     É um gavião migratório, desaparecendo do Rio Grande do Sul em meados de Março, para retornar em meados de Setembro (Belton 1994). Fora desta época o gavião-tesoura é encontrado, especialmente, na região Amazônica. No estado gaúcho, a espécie tem ocorrência regular na metade norte, acompanhando a distribuição da Mata Atlântica (Belton 1994, ver mapa da espécie no WikiAves). A Espécie é encontrada também no Uruguai (Olmos 2009).

Registros brasileiros de Elanoides forficatus no site do WikiAves até a data de 26/09/11.

     Há alguns dias atrás, enquanto voltávamos do Parque Estadual do Turvo, encontramos alguns gaviões desta espécie no município de São Martinho.



     O mais interessante é que, além de vermos a ave pousada, o que não é muito comum, vimos também acasalando.


     Após, tivemos a oportunidade de encontrar um ninho, mas não sem a ajuda de um pessoal que acompanhava, com curiosidade, a nossa euforia ao ver a espécie. Achamos interessante que as pessoas demonstraram um certo apreço por aquelas aves, comentando sobre sua chegada, ocorrência em outros anos, seus hábitos, etc.
     Particularmente, senti uma grande alegria por este encontro, pois sempre parava o carro há poucos metros do local para pedir a benção de Nossa Senhora das Graças, antes de ir para mais uma aventura nas matas do Parque Estadual do Turvo.


Observações de Dante Andres Meller, Adelita Rauber, Marciane Cornely e Luana Almeida. Fotos de Dante Andres Meller.
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Encontro de COAs no Turvo

     O Parque Estadual do Turvo, desconhecido por grande parte dos gaúchos, é uma selva viva em pleno Rio Grande do Sul, em pleno século 21. Há poucos dias foi realizada uma expedição conjunta entre o COA de Porto Alegre e COA de Santo Ângelo (ou grupo Ave Missões, como nos denominamos) a este parque. Foram quatro dias de intensa observação de aves, onde os participantes dos clubes de observação de aves estavam permanentemente atentos ao que viam e ao que ouviam.

COAs de Porto Alegre e Santo Ângelo (Ave Missões) no Parque Estadual do Turvo. Foto: Paulo B. Rodrigues.

     Tivemos muita chuva em nossa atividade, mas com uma lista de cerca de 180 espécies de aves, considerando as observações de ambos COAs, provou-se que chuva não é desculpa para deixar de observar aves. Uma capa-de-chuva ou um guarda-chuva resolvem o problema quando a coisa aperta. Por outro lado, a atividade de fotografia pode ficar um pouco comprometida pela falta de luz no ambiente florestal, ainda sim, belíssimas fotos são possíveis.

Caneleirinho, Pachyramphus castaneus. Foto: Veridiana Tamiozzo.

Pavó, Pyroderus scutatus. Foto: Luiz Carvalho.

Pato-do-mato, Cairina moschata. Foto: Luana Almeida.

     Muitos foram os lifers - aves vistas pela primeira vez - e entre as aves que mais cativaram os participantes, sem dúvida, estão a saíra-de-sete-cores, araçari-castanho, araçari-banana, gavião-tesoura, saíra-de-papo-preto, surucuá-de-barriga-amarela, trovoada-de-bertoni, gavião-pato, pavó e o pica-pau-de-cara-canela. Este último, além de ser o símbolo do COA de Porto Alegre e estar seriamente ameaçado de extinção, deu o ar da graça em um momento cheio de mistério, surpresa e fascinação.

Pica-pau-de-cara-canela, Dryocopus galeatus. Foto: Osmar Sehn.
   
      Tivemos algumas surpresas, como o acauã - registrado por participantes de Santo Ângelo que foram embora mais cedo - e também o tucanuçu, visto após o retorno do COA de Porto Alegre. O Salto do Yucumã, por outro lado, estava cheio, mas algo pode ser dito a respeito disso: Visitar o Parque Estadual do Turvo não limita-se a contemplar o grandioso Salto, as belezas do Parque, muitas vezes, escondem-se mata adentro, nas copas das árvores, nas lagoas que beiram estradas, no espaço aéreo sobre o verde da floresta,  no som que enche os ouvidos e nas cores que rejuvenescem os olhos.

Surucuá-de-barriga-amarela, Trogon rufus. Foto: Eduardo Chiarani.

Acauã, Herpetotheres cachinanns. Foto: Paulo B. Rodrigues.

   
    Uma experiência maravilhosa, sem dúvida, deve ter ficado impressa nos corações dos participantes, pois, além de belas aves observadas, amizades foram feitas e ensinamentos compartilhados. Um pedaço d'agente parece não voltar, mas um pouco do Turvo em nós encontrou um lugar! E se alguma espécie, em particular, não foi avistada, não é por falta de generosidade da floresta, mas sim para que um dia tenhamos motivos para lá voltar...

Tucanuçu, Ramphastos toco. Foto: Adelita Rauber.

     Todas as fotos foram feitas durante a expedição. Agradecimentos especiais a todos os integrantes dos COAs de Porto Alegre e Santo Ângelo, aos administradores do Parque Estadual do Turvo e do Balneário Martens. Um grande Abraço!
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