Projeto Ave Missões: Pesquisa, Educação Ambiental e Conservação com Aves da Região Noroeste do Rio Grande do Sul

sábado, 5 de março de 2011

Serpentes...

Serpentes sempre são vistas com um olhar desconfiado. Muitas pessoas acham que matando-as estão fazendo um bem, mas para quem entende a verdadeira natureza destes animais, isso é uma realidade muito triste. A maioria das serpentes nem sequer são ameaçadoras, só uma pequena porção possui peçonha (ou veneno), dentre estas as jararacas e cruzeiras, corais-verdadeiras e cascavéis. Espécies magníficas como a caninana (ou cobra-nova) muitas vezes são mortas por puro capricho, medo e ignorância.

Jararacuçu (Bothrops jararacussu) . Foto: Dante Meller. 

Pedi ao biólogo/herpetólogo Marcelo Carvalho da Rocha para descrever três espécies que temos visto no Parque Estadual do Turvo (PET): A cobra coral, a caninana e o jararacuçu.

  • Micrurus altirostris (Cope, 1859): serpente fossorial, alimenta-se de anfisbenias, bastante peçonhenta. No PET foi encontrada em abundância, tanto no interior da floresta como nas áreas de lavouras nas bordas do parque. Nome comum: cobra coral. Família Elapidae.

Cobra coral. Foto: Dante Meller

  • Spilotes pullatus (Linnaeus, 1758): Serpente semi-arborícola, alimenta-se de pássaros e roedores, não peçonhenta, de grande tamanho e bastante abundante no interior da unidade de conservação, bem como nas áreas vizinhas ao parque, (pode ser encontrada próximo a áreas de residências) dentro do PET é comum ser vista atropelada por turistas. Nome comum: caninana, cobra nova. Família Colubridae.

Caninana. Foto: Renato Grimm.

  • Bothrops jararacussu Lacerda, 1884: serpente terrícola, alimenta-se de anfíbios na fase juvenil e roedores na fase adulta, peçonhenta, noturna, de grande porte e bastante agressiva, no PET é encontrada associada às lagoas e rios. Nos meses mais frios pode ser encontrada na estrada que leva ao Salto nas proximidades das lagoas, termorregulando sob o sol. Os filhotes também são encontrados nos riachos espreitando anfíbios. Nunca foi vista nas áreas degradadas no entorno da reserva (lavouras e áreas habitadas). É confundida com muita freqüência com a jararaca-pintada Bothropoides diporus - foto abaixo, (Caracteristicas principais: a cabeça é totalmente melânica e sem manchas, suas manchas dorsais são douradas e seu dorso é negro). O animal encontra-se na lista de animais ameaçados de extinção no RS e Argentina, (a única população conhecida no estado encontra-se no Parque Estadual do Turvo). Nome comum: urutú dourado. Família Viperidae.

Jararacuçu ou urutú dourado. Foto: Rodrigo Leonel.

Fica aqui nosso agradecimento ao biólogo/herpetólogo Marcelo Carvalho da Rocha pelo texto de descrição das espécies. Também somos gratos ao biólogo/botânico Rodrigo Leonel e ao fotógrafo de natureza Renato Grimm pelas fotos cedidas.

Por fim lembramos a sabedoria do mestre Jesus quando utilizou-se da virtude das pombas e das serpentes para nos ensinar: "...Sejam simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes".


Jararaca-pintada (Bothropoides diporus). Foto: Dante Meller.

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Veja também:

Fotos de répteis
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2 comentários:

  1. Saludos desde España, me encantaría poder utilizar las fotos de Bothropoides diporus y B. jararacussu en mi próximo trabajo, una web interactiva sobre todos los vipéridos de Suramérica, si os parece bien. Esta es mi web actual; www.viborasdelapeninsulaiberica.com/ asi puedes tener una idea de como será el trabajo.
    Gracias de antemano,
    Juan Timms

    Hello,
    I would very much like to include the photo of B. diporus and B. jararacussu in my new interactive website about South American viperids, if you agree. This is my website now; www.viborasdelapeninsulaiberica.com/index-eng.html, here you can get an idea of what the website will be like.

    Thank you very much,
    Juan Timms (juantimms@hotmail.com)

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  2. Belíssimos registros Dante! Bom que até hoje nunca encontrei nenhuma dessas nas minhas passarinhadas...

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