Projeto Ave Missões: Pesquisa, Educação Ambiental e Conservação com Aves da Região Noroeste do Rio Grande do Sul

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Fevereiro, fevereiro, fevereiro...

*por Dante Andres Meller
João-bobo filhote em Independência.
Foto: DAM.
Independência foi o município escolhido para a saída de fevereiro, mais especificamente a localidade Esquina Araújo, em um fragmento florestal que chamamos aqui de Mata da Esquina Araújo.

Em meio à paisagem agrícola, essa mata se destaca pelo tamanho que tem, com mais de 100 ha, assim como pelo porte de suas árvores, representadas em sua expressão máxima por impressionantes grápias, canafístulas, ipês, cedros, canjaranas etc.

Do pouco que conhecemos dessa mata, já temos bons motivos para incluí-la em nossas passarinhadas, uma vez que espécies interessantes têm aparecido, sendo o patinho a descoberta da vez.

O entorno também têm seus atrativos e, embora não encontramos a fogo-apagou que ocorre na área, uma família de joão-bobos encerrou a passarinhada cantarolando sucessivamente em dueto, de modo a lembrar o mês de nossa saída.

Mata da Esquina Araújo em Independência. Foto: DAM.

Originalmente, a saída era para ter acontecido no sábado, mas o tempo chuvoso nos forçou a transferir para o dia seguinte, que foi bem agradável em termos climáticos. Havia um pouco de vento, mas logo na chegada esse mesmo vento nos trouxe o que seria o registro de abertura da passarinhada, um belo gavião-do-banhado.

Gavião-do-banhado (Circus buffoni). Foto: Gabriel Brutti.

Logo que começamos a trilha, um beija-flor-de-topete-azul dava-nos as boas vindas à mata. Adiante, havia bastante movimentação nas copas das árvores. Tivemos que ficar um tempo até entendermos quais espécies estavam presentes, mas valeu a pena. Além daquelas mais comuns, como surucuá-variado e alma-de-gato, avistamos dois tucanos-de-bico-verde, infelizmente sem chances para foto, mas também um casal de limpa-folha-de-testa-baia e uma fêmea do tangará, dessa vez clicados.

Beija-flor-de-topete-azul (Stephanoxis loddigesii). Foto: Ademir Fick.

Surucuá-variado (Trogon surrucura). Foto: DAM.

Limpa-folha-de-testa-baia (Philydor rufum). Foto: DAM.

Fêmea do tangará (Chiroxiphia caudata). Foto: Gabriel Brutti.

A seguir, foi a vez da melhor surpresa do dia, com um piadinho característico, suficiente para ser reconhecido. Tratava-se do patinho, espécie com ocorrência restrita a poucas localidades na região. Já havíamos ganhado o dia!

Abro um parênteses aqui para relatar sobre o contexto da imagem. O momento do patinho foi muito rápido, com pouquíssimas chances para fotos e, o pior de tudo, somente eu havia consegui uns poucos clics e todos completamente escuros, pois não tive tempo de fazer ajuste algum. Minha esperança era resgatar as características da foto através do processamento no Lightroom, para clareá-la, e no Photoshop, para reduzir ruídos. E, claro, isso só foi possível graças à foto ter sido feita no formato RAW. Veja o antes e o depois:

Foto do patinho (Platyrinchus mystaceus) antes do processamento. Foto: DAM.

Foto do patinho (Platyrinchus mystaceus) depois do processamento no Lightroom e no Photoshop. Foto: DAM.

Enfim, com o registro do patinho assegurado, seguimos em frente. A partir desse ponto, a floresta estava mais silenciosa e, depois de chegarmos a um taquaral, arriscamos sem sucesso um playback do negrinho-do-mato. Nada feito, decidimos voltar.

Já não longe do ponto de entrada, encontramos um bando misto, onde nos entretemos um tempo em identificar e fotografar as espécies. O destaque ficou por conta dos anambés, que se escondiam de nós no alto das copas, mas de onde divulgavam sua presença pela voz, embora fotos boas nesse contexto não é fácil de conseguir. Também o limpa-folha-de-testa-baia aparecia novamente, dando a impressão de que a espécie é bem representada nesse fragmento, ainda que não tenha sido encontrada em outras matas próximas. Depois, para finalizar, um bico-virado-carijó apareceu e nos permitiu observá-lo por alguns momentos, embora um pouco mais alto do que gostaríamos.

Fêmea do anambé-branco-de-bochecha-parda (Tityra inquisitor). Foto: Gabriel Brutti.

Fêmea do anambé-de-rabo-preto (Tityra cayana). Foto: DAM.

Limpa-folha-de-testa-baia (Philydor rufum). Foto: Gabriel Brutti.

Bico-virado-carijó (Xenops rutilans). Foto: Gabriel Brutti.

Saindo da mata, ainda tentamos um playback do papa-lagarta-de-euler, recentemente fotografado pelo Gabriel no local, mas, assim como o negrinho-do-mato, sem sucesso. Era hora de irmos atrás de aves de áreas abertas, e a fogo-apagou era o objetivo principal, embora não a tenhamos encontrado. No caminho, porém, pudemos ver algumas espécies menos comuns nessa região, como a irerê e o gavião-caboclo, que costumam ser mais frequentes onde as matas dão lugar aos campos, um pouco mais ao sul.

Para finalizar, encontramos uma família de joão-bobos no caminho de volta, alegrando-nos feito bobos perante as pessoas que passavam pela estrada de terra onde estávamos.

Joãos-bobos (Nystalus chacuru). Foto: Gabriel Brutti.

Participantes observando família de joão-bobos no interior de Independência. Foto: DAM.

Na volta, o Gabriel, o Ademir (aniversariante do dia) e a Débora ainda viram mais algumas espécies, incluindo o saci, muito bem registrado por sinal.

Saci (Tapera naevia). Foto: Gabriel Brutti.

Com mais de 80 espécies encerramos nossa lista de aves observadas ao longo da manhã (link para lista). Valeu pessoal, foi um belo dia, e ao aniversariante, nossos parabéns mais uma vez!

Até o mês que vem!

Participantes da saída em Independência. Foto: Charles Boufleur.

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